Será tão difícil escrever um texto? Por que muitos acadêmicos do curso de Direito se desesperam na hora de redigir a famigerada monografia? Acho que o problema não se encontra exatamente na escrita da monografia, mas na produção de textos como um todo.
Um acadêmico do curso de Direito, em tese, teve toda a vida escolar, composta de, pelo menos, a se considerar alfabetização, ensino fundamental e ensino médio, 12 longos anos para "se acostumar" com o hábito da escrita. Somem-se a estes 12 anos os pelo menos 4 de um curso de Direito. A soma resulta em 16. Ou seja, o estudante teve 16 longuíssimos anos para aprender a raciocinar e a concatenar idéias com o objetivo de produzir algo que transmita uma mensagem, qualquer que seja, a outra pessoa.
O grande problema é que muitas pessoas não gostam de ler. Se uma pessoa não tem o hábito da leitura, dificilmente terá o hábito da escrita. São dois aspectos que se completam.
Dessa forma, resulta difícil, missão quase impossível, um aluno escrever um texto de 40 laudas para submeter a avaliação de uma banca de professores com o fim de conclusão de um curso superior. E olhe que no caso do curso de Direito, o diploma nem sempre garante acesso direto à profissão, veja-se o exame da OAB.
Mas, pior do que escrever sobre qualquer coisa, é escrever sobre um tema específico, tema este que tem implicância direta na vida das pessoas, nos seus direitos e deveres, defendendo uma posição, que pode, inclusive, ter reflexos bastante traumáticos no tocante à formação doutrinária de determinado instituto.
Logo, a escrita da monografia, antes de ser um mero trabalho acadêmico que renderá ao aluno sua aprovação na respectiva disciplina, tem a responsabilidade de contribuir para a formação de um determinado instituto - logo, a defesa de um tema deve ser exaustivamente estudada, por ter a obrigação moral de ser executada de forma responsável, ética e justa, por poder gerar consequências de ordem prática, podendo estas serem até mais traumáticas do que imaginado pelo estudante.
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