quarta-feira, 16 de junho de 2010

IMÓVEIS EM FORTALEZA: VENDA - parte 2

Continuando o artigo acerca do super-mega-power-ultra-advanced D valorizadíssimo mercado imobiliário de Fortaleza, venho nesta 2ª parte tratar do crescimento desordenado da cidade e suas consequências maléficas para o bem estar social dos seus cidadãos.

Gosto de ter sempre uma opinião firme e bem sustentada sobre certo assunto. Por isso, só gosto de comentar assuntos que domino. E o melhor é que vez ou outra me deparo com especialistas que corroboram a minha opinião.

Sempre defendi que a especulação imobiliária em Fortaleza está criando áreas compartimentadas ou mesmo "apartadas dentro da mesma cidade. Vejamos o clarão ocupacional que se dá na Av. Washington Soares, desde o seu primeiro viaduto até a Unifor, e pouco depois do Fórum até o Siará Hall. Isso sem falar na "grande Messejana", que se trata de área densamente povoada distante do centro geográfico de Fortaleza, que acabou por se especializar de tal forma que agora pensa em pleitea sua emancipação.

Então, certa vez, li em alguma edição do jornal O Povo que deve ter circulado entre os meses de abril ou maio deste ano um artigo do arquiteto Fausto Nilo em que este defendia, em síntese, que a cidade não precisava ser  tão grande, deveria ser mais compacta, para evitar longos trajetos, tendo em vista que as ruas e avenidas não poderão ser alargadas infinitamente, e que a capacidade de escoamento destas em Fortaleza já está quase saturada.

O genial arquiteto e músico disse tudo o que sempre defendi e defendo hoje: Fortaleza se tornou maior do que deveria ser - a tal ponto que a cidade está com seu trânsito estrangulado, suas relações sociais estõ comprometidas e o pior: sua unidade está ameaçada.

A postulação de Messejana para se emancipar é um dos sintomas desse crescimento exagerado, desordenado e desorganizado de Fortaleza. No presente artigo não entrarei no mérito da possibilidade jurídica da criação de novos Municípios, mas chamo a atenção para um aspecto a ser considerado: o sentimento de "renegação" de parte da população da cidade, que não tem atendidas as suas demandas de infraestrutura urbana, saneamento básico, saúde, educção, enfim, estrutura social!

Como venho tratando desde a parte 1 deste artigo, áreas antes distantes do centro, e, consequentemente extremamente desvalorizadas, hoje respondem pelos sonhos e anseios da nova classe que emerge com poder de compra da casa própria - sonhos e anseios fictícios.

Sou abertamente defensor de que cada pessoa deve morar próximo ao seu trabalho, na medida do possível, porque há outros aspectos a se analisar neste tocante, como o custo benefício em relação a todos os habitantes do mesmo lar - afinal, o deslocamento deve se harmonizar em prol do bem estar de todos -, bem como a possibilidade de compra do imóvel próximo ao emprego (uma diarista que trabalha em apartamento localizado na Av. Beira Mar, em geral, pode não ter condições de residir bem próximo ao trabalho).

Tal tese defendida por mim faz parte de uma série de idéias que defendo que gosto de denominar sob o título de "responsabilidade social", que se revela também como uma responsabilidade cidadã.

Vou explicar: hoje, muito se fala em aquecimento global, em redução do uso de sacolas plásticas, em urinar no ralo do banheiro durante o banho... mas porque ninguém fala em controle da especulação imobiliária nas áreas de "clarões habitacionais" localizados entre dois bairros ou duas áreas densamente povoadas, uma dependente da outra? Porque ninguém defende a redução de IPTU nestas áreas? Porque ninguém consegue enxergar que tais medidas reduziriam o tamanho da cidade e consequentemente os congestionamentos, a poluição do ar, sonora, bem com o stress generalizado na população que enfrenta o trânsito e a poluição citadas?

Vou ser mais direto: porque morar na Maraponga, Messejana ou Passaré se trabalho no Centro? Porque morar na Aldeota se trabalho em Aquiraz? Há laternativas para todos o gostos. Não sei se defendo essas teses porque sou chato, ou se é porque realmente estou certo...

Talvez o mercado imobiliário não tenha ainda se dado conta desta realidade pulsante existente em nossa cidade: Fortaleza vive de modismos - mas nem todos vivem de modismos! Enquanto o mercado todo se vira para a Lagoa Redonda, Messejana, Passaré e Maraponga, há muita gente querendo morar na Vila União, no Centro, ou, porque não, no Joaquim Távora (na minha opinião, de cidadão nascido e criado neste, acho que o Joaquim Távora é o melhor bairro de Fortaleza, por uma série de requisitos que dificilmente serão batidos por outro bairro, assunto que pode render até outro artigo).

Também li de outra feita no jonal O Povo, em matéria que tratava do mercado imobiliário, que saiu já neste ano de 2010, que nesses citados "clarões habitacionais" só compnsava construir algum empreendimento se voltado para as classes mais abastadas, A e B, enfim, empreendimentos de alto padrão, "diferenciados".

Realmente, só posso ser muito ingênuo mesmo, ao esquecer aquela lição da aula de geografia que nos ensinava acerca destes aspectos das cidades, chamado especulação imobiliária... porque vender por R$ 100.000,00, se posso vender por R$ 500.000,00 adicionando alguns m² e um acabamento "diferenciado"?

Então, nesta segunda parte do artigo, resolvi chamar à responsabilidade o cidadão, enquanto senhor do destino da sua cidade: só há especulação porque todos almejam algo semelhante - é a lei da oferta e da procura! Posso taxar de irresponsável social, confome minha doutrina  aqui defendida, aquele que se utiliza da cidade abusivamente, residindo desnecessariamente longe de suas atividades diárias, ocasionando congestionamentos de trânsito, poluição e stress generalizado, em detrimento dos demais cidadãos que necessitam passar por deslocamentos em áreas de grande fluxo.

Agora vou abrir apenas um parêntese neste artigo: age com maior irresponsabilidade social, aquele que adquire um imóvel em área de proteção ambiental ou em que não se pode edificar, tais como alguns que a gente vê por aí dentro do mar, do mangue, em cima do morro etc. Só não vê quem não quer!...

Com estas breves notas encerro esta segunda parte do artigo acerca do imóveis em Fortaleza. Já deixo registrado que não sei ainda se haverá outra parte, mas se houver, certamente será aqui postada, ao sabor da inspiração.

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